Grau de depressão nos fumantes participantes np programa nacional de controle ao tabagismo no período de 2004 a 2007



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GRAU DE DEPRESSÃO NOS FUMANTES PARTICIPANTES NP PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE AO TABAGISMO NO PERÍODO DE 2004 A 2007
Lineu Casagrande Jr1; Dra. Jane da Silva2; Dr. Flávio Liberali Magajewski (orientador)3

INTRODUÇÃO
O tabagismo é um importante problema de saúde pública. Não há dúvidas quanto aos inúmeros danos à saúde, mesmo aos não fumantes. Atualmente é uma das mais importantes causas de morte preveníveis e a intervenção em grupo é a melhor estratégia para redução da mortalidade. 

Embora o PNCT tenha sido efetuado durante mais de três anos em São José, ainda não houve avaliação quanto ao grau de depressão e o índice de sucesso com a terapia anti-tabágica. Tal informação tem relevância devido a sua relação com a determinação da eficácia do tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde e a importância de uma pesquisa sobre a utilização de farmacoterapia, o índice de cessação do tabagismo e o grau de depressão relacionado, informações necessárias para ampliar o conhecimento sobre esse hábito que traz consigo consequências desastrosas para o sistema público de saúde e deterioração da qualidade de vida aos pacientes.

Palavras-chave: Teste de Fagerström. Dependência tabágica. Depressão.
OBJETIVOS
Descrever o grau de depressão nos participantes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) em São José- SC no período de 2004 a 2007.

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1 Acadêmico de Medicina da Unisul. Bolsista do Artigo 171.

2 Professora colaboradora – curso de medicina da Unisul.

3 Professor doutor do curso de medicina, Medicina do trabalho da Unisul. E-mail: magajews@saude.sc.gov.br
MÉTODOS
Estudo transversal com 429 prontuários dos participantes do PNCT – SJ, de 2004 a 2007. Informações sobre dados demográficos, história tabagística, quadros depressivos e o Teste de Fagerström foram cadastradas em um protocolo de pesquisa e transferidas ao programa SPSS 16.0, analisadas de forma descritiva e bivariada (significância de 5% para as associações) através do teste qui-quadrado (χ2) ou prova exata de Fisher. Aprovado pelo CEP-Unisul, registro nº 11.165.4.01 III.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram avaliados prontuários de 429 pacientes tabagistas, sendo a idade média da população 49 anos (DP= 29), semelhante aos estudos de Santos et al. e Payne et al., cuja a média de idade foi 45,3 e 49 anos, respectivamente12. A busca ao serviço correspondeu em 62,0%, pelo sexo feminino. A média de idade foi de 48-49 anos, sugerindo que as pessoas estejam buscando a cessação do tabagismo quando possivelmente já tenham alguma consequência do hábito.

Ainda sobre a idade de início do tabagismo, dados de literatura mostram que a adolescência é a faixa etária mais suscetível ao inicio à dependência às drogas, incluindo o tabagismo, fator possivelmente determinado pela falta de relações afetivas genuínas e apoio familiar. Ainda atribuível à pressão do grupo de convívio, formação do caráter combinado à baixa autoestima20 e a figura do cigarro como ícone de amadurecimento e ideal de autoimagem, vinculado através de propagandas21.

Embora grande parte dos pacientes não tenha respondido o questionário sobre depressão, a maioria dos respondentes foi enquadrada com grau leve de depressão. Quanto à dependência à nicotina medida pelo teste de Fagerström, 60,6% apresentou grau elevado a muito elevado, não havendo relação significativa entre o grau de dependência à nicotina e a depressão. Resultado prejudicado pela falta de respondentes no questionário de depressão (45,7%), tornando-se um objetivo não alcançado. Entretanto, estudos publicados sugerem que pacientes com transtornos psiquiátricos apresentam dependência, em média, duas vezes maior que a população geral.

Os resultados obtidos nesse estudo retratam uma realidade local (São José) de um programa de caráter nacional desenvolvido num período de quatro anos. A maior limitação do estudo foi quanto à falta de resposta em algumas questões. Por exemplo, 70,8% dos participantes não responderam a questão sobre o grau de escolaridade. Dados de literatura apontam maior prevalência do tabagismo se concentra em grupos populacionais de baixo nível educacional, e menor poder aquisitivo, condição que explica também a iniciação do tabagismo mais precocemente19, 24, 25.


CONCLUSÕES
O grau de depressão foi leve, porém dependência à nicotina mostrou-se elevada a muito elevada. Não houve relação entre o grau de dependência à nicotina e a depressão.

REFERÊNCIAS
Haggstram FM, Chatkin JM, Cavalet-Blanco D, Rodin V, Fritsher CC. Tratamento do tabagismo com bupropiona e reposição nicotínica. J Pneumol. 2001; 27(5): 255-61.

Ministério da Saúde. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. PNAD - Pesquisa especial sobre tabagismo (PETab). 2012. [acesso em 2012 Nov 03]. Disponível em: http://www.inca.gov.br/controle_tabaco/site/home/numeros/prevalencia.


Canavez MF, Alves AR, Canavez LS. Fatores predisponentes para o uso precoce de drogas por adolescentes. Cadernos UniFOA. Rio de Janeiro; 2010; 14(2): 57 – 63.
Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Vigescola - Vigilância de tabagismo em escolares. Dados e fatos de 12 capitais brasileiras. [acesso em 2012 Nov 03]. Disponível em: htt/://http://www.inca.gov.br/vigescola/docs/vigescola_completo.pdf.
FOMENTO
O trabalho teve a concessão de Bolsa pela Unisul – Universidade do Sul de Santa Catarina.



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